Sábado, com a equipa Pára & Comando, composta para além do meu pai e do Mário Lima, também por mim e pelo meu marido (o Daniel), que a caminho do Gerês tinhamos paragem marcada na cidade de Guimarães! Convívio com a família e aproveitámos para visitar alguns pontos históricos da cidade, como o Castelo local. Bonito como sempre!
Chegada a Caldelas (Gerês)
Final de tarde, chegada à Residencial Albergaria Caldelas mesmo junto à Meta
da prova. Levantamento dos dorsais e encontro com os amigos, José Magro, Analice, Brito e Otilia, Orlando e Leonor Duarte (descobri em conversa com o casal que o filho de ambos correu comigo no Sporting, o Rui Duarte, que fez também parte da Comitiva da Selecção Nacional para o Campeonato Europeu de Corta-Mato em Ferrara, Itália em 1998 se não estou em dúvida, que engraçado!), mais tarde com os Casais Isabel e António Almeida e Ruth e Vitor Veloso assim como as suas Meninas Vitória e Carolina.
Dia da Ultra e uma "má?" surpresa
O meu marido acorda bem cedo para tomar o pequeno almoço às 6h30, ía participar na prova longa (52km e mais qualquer coisa) assim como o meu pai e o Mário. Era a sua estreia nesta distância apesar de ter participado no Trail de Óbidos. Disse-lhe para ir com calma e que se
divertisse acima de tudo, e foi! Voltei a adormecer, tinha o despertador programado para as 8h25, ía participar na distância de 15km, e o autocarro só partia às 10h30. Pequeno-almoço bem servido, e volto ao quarto, deitei-me correndo o risco de adormecer, o que aconteceu, pus o despertador, vá lá! Sentia-me com sono pois no dia anterior tinha feito uma directa no serviço de noite, e seguido viagem demanhã.
Hora de apanhar o autocarro, encontro o Orlando Duarte e sua esposa.
Até que chega o autocarro em que irei seguir em direcção à nossa partida (na marcação dos 35 km da Ultra), quando sai de lá de dentro o meu pai com a sua Boina Verde e fico espantada, o que estaria ali a fazer. Eu sabia que ele andava com uma hemorragia nasal devido à constipação, tinha tido alguns problemas no dia anterior, e soube então que nessa madrugada acontecera novamente, nunca pensei que aquilo continuasse assim daquela forma. Fiquei um pouco triste quando me disse que apenas correra cerca de 100 a 200 m e sentiu o sangue de jorrada a sair da narina, teve de desistir ali, e foi uma decisão muito inteligente! Sei que o amigo Mário apercebeu-se e foi em auxílio do meu pai, muito obrigada Mário, de coração. Sei o quanto o meu pai ansiava por esta prova e o frustração que deve ter sentido por não continuar mas de certa forma senti-me aliviada por aquilo ter acontecido logo ali pois havia meios para socorrê-lo, mais à frente nunca se sabe...
A minha Corrida
A minha corrida teve partida às 11h15, o calor já apertava. Fui para a prova com objectivo de se possível ganhar, e por isso tentei logo desde início acompanhar a 1ª Classificada, Susana Simões, o que sucedeu durante os 1ºs cerca de 10 kms. Inicialmente na companhia do Orlando, assim seguimos seguindo as fitas, sinceramente em alguns cruzamentos não vi fita nenhuma, e seguiamos na mesma estrada lá mais à frente confirmava-se que íamos em bom rumo, o Orlando seguiu e bem pois eu não aumentava mais o meu rítmo, lá mais à frente reparei que se tinham enganado, as fitas estavam à direita, alertei o grupo onde vinha a 1ª Classificada e voltaram atrás ao meu encontro. Deparou-se-nos logo uma longa parede e partir daí consecutivas subidas e descidas, algumas com piso de grandes pedregulhos basicamente, onde optava por andar. Tinha tido a experiência dos Trilhos de Almourol que me correu muito bem, mas a diferença é que em Almourol corri na brincadeira e nesta prova de 15 km eu ía a competir, até que o cansaço começou a dar conta de mim e optei por seguir ao meu rítmo. A Susana Simões, bem mais preparada para provas desta envergadura foi-se afastando na frente, só a vi na meta. Foi a partir daí que comecei a apreciar a corrida na íntegra, quando cheguei ao ponto mais alto, creio, e olhei em volta, era só eu mais ninguém, paisagem magnífica que nos faz encher a alma! e comecei a descer então... Como nos abastecimentos (2) que encontrei bebi apenas um pouco de água a correr pois estava a competir, pois claro está que mais à frente nos últimos 5 kms com aquele calor já sozinha já só sonhava com laranjas e água. Bom!
Na longa descida sinuosa com pedregulhos, o Orlando passa-me como uma neblina tão à vontade que estava com aquele tipo de descidas, e lá continuei no meu passo de caracol. Sei que durante a prova torci umas 3 vezes os pés. E a sede começava a apoderar-se (mas lá pensei, o pessoal da Ultra estão piores), lá me lembrei que poderia ter levado algum abastecimento apesar de serem apenas 15 kms. De repente vejo um senhor vestido de branco ao fundo, parecia o meu pai, mas cá pra mim pensei que não podia ser pois ele tinha camisola azul, mas ao aproximar-me não era uma miragem, era mesmo o meu pai que ali estava com a máquina e... com uma abençoada garrafa de água, que me saciou a sede para o resto da corrida, que bom pai, só podia ser de ti! Obrigada, muito obrigada! Reparei que para ele chegar até ali ainda andou um bom bocado. E não esqueço uma fonte numa escadas próximas da estrada final, onde parei e bebi e refresquei a cara vezes sem conta com aquela água tão fresca. Da próxima já sei, convém sempre levar líquidos comigo! Estrada final em direcção à Meta, onde encontro a Leonor a tirar fotos, terminei com 1h23.41. Bem bom para mim! Só pensava em tomar um duche rapidamente para ir ao encontro do meu pai, para apoiar o pessoal. Levei duas garrafas de água comigo.
Ver AQUI a minha passagem pelo meu pai, que estava a filmar-me a correr, e tentou seguir-me com a máquina :))!
Chegada dos Ultra-Maratonistas e outra surpresa má
Já junto do meu pai, falámos com o António Almeida por telemóvel, que ía no km 40, e ía bem, boa! Disse-nos que o Vitor Veloso e o Daniel íam mais à frente, o que nos indicava que estariam a chegar não tardaria muito. Esses últimos kms do percurso tinha eu feito e sabia que não era nada fácil para mais com aquele calor e já com tanto km em cima das pernas. Entretanto foi passando pessoal, houve um senhor que me ficou
gravado, vinha a andar e a cambalear muito pálido completamente desidratado, alguém nos avisou e corremos ao seu auxílio com água, tratou-se do Fernando Manuel, depois de se ter restabelecido um pouco sentado à sombra lá conseguiu seguir, mais tarde vi-mo-lo a chamar por nós " Olha os meus Salvadores, são aqueles" e pediu ao meu pai que o abraçasse e que eu lhe desse um beijinho agradecendo-nos muito, fiquei feliz pois apesar do que acontecera ao meu pai, estávamos ali, ele não correu mas acabou por ser bastante útil como foi para mim também. Houve também um senhor que desmaiara a cerca de 1km de nós lá atrás segundo pessoal que estava a passar e o meu pai foi a correr ao seu encontro, continuei no mesmo sítio e lá surgiu uma ambulância mas não tinha qualquer acesso para aquela zona. Senti ali alguma falta de pessoal naquela área tão crítica e o acesso de meios de socorro estavam bastante limitados, e a ambulância ali ficou, mas o meu pai já lá vinha com o senhor a correr que tivera apenas uma quebra de tensão mas já corria, boa!
Falámos então por telefone com o Mário Lima, o nosso amigo Comando, e disse-nos que desistira da prova, e passara um mau bocado pois caíu sofrendo uma rotura muscular, ainda por cima a meio do percurso, sem avistar quem quer que fosse, que chatice! Estava já na Residencial!
Começámos então a dirigir-nos em sentido
contrário ao pessoal que ía chegando a ver se avistávamos o Daniel e o Vitor Veloso, e estavam a demorar, lá apareceu o Vitor, vinha com bom ar, que bom! Continuámos na mesma direcção sempre afastando-nos mais da Meta, e lá ao fundo lá apareceu o Daniel, todo contente assim que nos viu, também fiquei super contente de ver que ele vinha bem! Segui atrás dele até à meta, mas ía com uma velocidade que era impossível de o
acompanhar eheh. O meu pai continuou a aguardar a chegada do restante pessoal! O Daniel terminou a prova com 6h28 e ficou em 64º lugar na classificação geral, o que foi excelente, estás de Parabéns Mor! E todo o pessoal que participou nesta Aventura que terminou e teve a coragem de a fazer e ficou incapacitado para terminá-la Muitos Parabéns também, pois oportunidades haverão e continuaremos sempre a aprender!
Comentários
renovo os parabéns pela tua prova e pela conquista do Daniel.
Beijinhos e abraço forte aos dois,
António, Isabel e Vitória.
Desde já os meus Parabéns pela sua Prova e pela do Daniel, um forte abraço ao seu Pai, e que para o ano os três festejem a chegada à meta.
Cumprimentos.
Filipe Fidalgo
Gostei muito do relato e de saber que a Prova correu bem.
Parabéns, Suasana. E Parabéns também para o Daniel.Grande Prova.
E o Pára, mesmo sem correr, teve o seu papel importante na corrida. Assim é que é.
Beijinho.
FA
Gostei de ler esta tua aventura. Parabéns pelo resultado, o esforço desportivo e de teres a coragem de participar numa prova desta natureza.
Também ao Daniel, os meus parabéns, porque 6 horas e meia a correr, haja persistência.
Abraços dos Xavier's
Disseste tudo, os pormenores estão lá todos, naquela fase mais difícil para os amigos que iam chegando sentia-me tranquilo por estares ali a meu lado a ajudar os que estavam em piores condições, mas todos mereceram e receberam uma palavra de incentivo que os levaria até ao final.
De louvar aqui a tua disposição de estares ali com grande paixão na ajuda depois de teres feito a tua prova no traçado mais difícil da Geira Romana.
Sinto-me orgulhoso.
Um beijinho
Mais uma vez parabéns pela pela tua excelente prova, e pela coragem e força de a seguir ires ainda ajudar o teu pai dando água e incentivando os atletas da Ultra.
Parabéns ao Daniel que fez uma excelente prova é um verdadeiro Ultra!
Beijinhos e até á próxima
Otília
Primeiro que tudo espero e desejo que tudo esteja bem com o teu pai e que tu e o Daniel tenham recuperado bem. No meu caso, muscularmente está já tudo pronto para outra. Todavia, não posso dizer o mesmo das minhas (artroses nas) Sacro Ilíacas. A minha mãe tinha uma frase engraçada mais ou menos para estas situações: Perdoa-se o mal que faz, pelo bem que sabe! É por esta razão que “só” faço as Minis… nas minhas condições era imperdoável participar em ultra maratonas de trilhos sinuosos como aqueles que a Susana passou a conhecer…
Aproveito para manifestar o nosso agrado pela vossa maravilhosa companhia ao jantar. Recordámos belos momentos do passado recente e, mais uma vez, ficou provado que o mundo é pequeno…
Relativamente à corrida, devo dizer que era minha intenção fazê-la na companhia da Susana. Se de início até foi relativamente fácil para ambos (excepto naquelas zonas de poucas ou nenhumas fitas), mais tarde com a vinda das descidas (o que para mim não é dificuldade – é uma mais-valia que eu adquiri na orientação), mas vi que para a Susana era um grande obstáculo. Já nas subidas era totalmente ao contrário. Aliás, foi graças à primeira subida (6.5km) que nos separámos, vindo eu a ultrapassar a Susana na grande descida dos 10/11 km (lá está, tinha que ser na descida) porque a Susana vinha, praticamente, a passo e eu embalado para a meta…
Quanto aos abastecimentos, de facto, e pelo que eu vi no 1º abastecimento, a Susana bebeu pouca água e não se hidratou convenientemente. Porém, há que referir que o sistema de abastecimento (cópia da orientação, não nos podemos esquecer que o clube organizador, e até o Moutinho, são orientistas) com copos e não garrafas como é nas corridas, é muito bom para a natureza, porque o atleta bebe no local e deixa lá o copo. O problema é que os copos – pelo menos no 1º abastecimento – estavam quase vazios e, enquanto eu servi-me de 3 ou 4, a Susana bebeu um… Ora, nestas provas com mais de uma hora de esforço, mais a mais com o calor que se adivinhava, de início, mesmo que não haja sede, devemos ingerir líquidos na proporção de 2.5dl por 20/30 minutos de corrida – fica a dica para a próxima. Gostava muito que fosse na Serra da Freita. Até lá!...
Beijinhos
Leonor e Orlando Duarte
Estás imparável e o teu 2º lugar, logo atrás da outra Susana mas esta de apelido Simões, que é uma especialista neste tipo de provas é de enaltecer.
Parabéns
Foi um fim-de-semana em cheio, com as visitas a Guimarães e à família do Daniel.
O Daniel fez uma prova excelente. Mesmo com o calor que estava aguentou-se bem, e de tal maneira que no fim quem parecia que tinha corrido os 52km não tinha sido ele.
:)
Agora também tenho que enaltecer outro teu gesto, para além do teu pai. A tua forma de encarar os corredores, o esforço e fazeres o possível para minorar situações que podiam tornar-se drásticas é de louvar. Depois da tua prova, teres ido ter com o teu pai e socorreres, abastecendo com água, quem dela necessitava, é de um coração grande, muito grande.
Tudo de bom
Mais uma vez parabéns pelo 2º lugar alcançado.
surpreendido e contente que fiquei quando os vi lá no cimo da serra, apoiar e ajudar os companheiro, que dupla espectacular.
Foi com agrado que corri ao lado do Daniel, obrigado pela companhia e parabéns pela prova realizada.
Bjs e abraço
Vitor, Ruth e Carolina
Respondendo ao amigo Mário, sim parecia que no final do dia quem tinha feito os 52 kms tinha sido eu e não o meu marido, ele estava cheio de energia rsrs e eu toda derreada! Rápidas melhoras para a sua lesão Valente!
Orlando gostaria de participar na Freita sim, mas de certeza que não será este ano, o meu pai já tem inscrição confirmada. Você está numa forma extraordinária, também gostei muito de estar com vocês!
Relativamente ao facto de eu ter participado no abastecimento com o meu pai, senti um prazer enorme nisso e para o meu pai 1000% de certeza que também, especialmente quando sentimos que estamos a ser úteis. Uma coisa bastante simples de se fazer, e normal para quem passa por este tipo de necessidades na modalidade, eu também estava a sentir desidratação quando ali passei, e o meu pai estava lá.
Desejo a todos continuação de bons treinos e Força Valentes!